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A pequena cidade escocesa que procura migrantes para estancar a queda da população

Atualizado em 30/08/2026 às 10:50 schedule 3 min de leitura visibility 31 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A pequena cidade de Greenock, na costa oeste da Escócia, criou um programa para atrair imigrantes e refugiados como forma de reverter décadas de queda populacional. A região de Inverclyde, onde a cidade está localizada, é a parte da Escócia mais afetada pela redução demográfica, com 22 mil habitantes a menos do que em 1981. Atualmente, a população é de 78 mil moradores, e a previsão é que ela encolha mais 16% nas próximas duas décadas.

As mudanças demográficas já são visíveis nas ruas. Na principal avenida comercial, uma loja de produtos africanos, a Anik African Store, abriu as portas em maio, vendendo inhame, bananas, bagres e quiabo. A poucos metros dali, há outro estabelecimento semelhante. Moradores afirmam que, cinco anos atrás, era difícil encontrar uma pessoa negra em Greenock; hoje, centenas de imigrantes africanos e refugiados vivem na cidade. Muitos chegaram com vistos de trabalho qualificado e atuam nos setores médico e assistencial, atraídos pelo custo de moradia acessível, mas trabalham ou estudam em Glasgow e Paisley, cidades próximas.

A falta de empregos, no entanto, é apontada como a principal causa dos problemas locais. A cidade, que no século 19 era um centro mundial de refino de açúcar e ficou conhecida como "Sugarópolis", além de ter construído navios por quase 300 anos, perdeu postos de trabalho nos últimos anos. Uma fábrica da IBM, que empregava mais de 5 mil pessoas, fechou em 2016. Nos últimos quatro anos, outros 1,5 mil empregos foram cortados, com a saída de empresas como Amazon e a operadora de celulares EE. Neste mês, o estaleiro local anunciou a redução de cerca de 25% do seu quadro de funcionários.

Moradores descrevem a cidade como uma "cidade-fantasma", sem lojas e opções de lazer. Tiffany, de 29 anos, mãe de um filho pequeno, diz que está considerando se mudar para Paisley porque "não há nada para fazer" em Greenock. Aposentados que se reúnem em um café local também se mostram céticos em relação ao plano de repovoamento. "Onde eles irão trabalhar?", questiona Pamela. "Os moradores de Greenock não conseguem trabalho, que dirá trazendo mais pessoas." O pastor da igreja Lyle Kirk, Jonathan Fleming, afirma que a igreja realiza "muito mais funerais do que casamentos e batizados".

O número de pessoas que chegam a Inverclyde vindas do exterior triplicou desde 2023, atingindo 750 imigrantes por ano. Além de africanos, a região recebeu refugiados da Ucrânia, do Afeganistão e de outros países. Como parte do plano de aumento populacional, o governo local oferece aulas de inglês e ajuda no acesso a empregos qualificados, além de apoiar escolas em iniciativas inclusivas e antirracistas. Mo Almalarashid, que chegou em 2018 como refugiado sírio sem falar inglês, hoje trabalha como instrutor em uma academia local. "Sempre houve gente disposta a me ajudar", diz. A cidade também enfrentou tensões: um adolescente foi condenado a 10 anos de prisão no ano passado por planejar um ataque à mesquita local, e um protesto ocorreu em junho em frente a um hotel que hospedava solicitantes de asilo.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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